Com Médicos pelo Brasil, vagas para médicos aumentam 105% na Bahia

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Médicos pelo Brasil sendo lançado pelo presidente Bolsonaro
Médicos pelo Brasil, lançado pelo Governo Bolsonaro, substitui o programa Mais Médicos, criado durante o governo do PT

Por Mário Bittencourt – O programa Médicos pelo Brasil, lançado na quinta-feira passada pelo Ministério da Saúde, ampliará em 105% as vagas disponibilizadas em municípios prioritários da Bahia, passando das atuais 821, do programa Mais Médicos, para 1.682.

A partir da nova configuração de distribuição dos médicos com custeio do Governo Federal, priorizando suprir a demanda em regiões carentes, as vagas previstas para médicos no estado chegam a 2.040 – pelo Mais Médicos eram 1.720.

“Cabe esclarecer que se trata de estimativa, uma vez que a distribuição de vagas leva em consideração a quantidade de equipes de Saúde da Família existentes em cada município, além das condicionantes sociais de cada localidade, como recebimento de benefícios sociais”, informa o ministério, segundo o qual a lista dos municípios prioritários ainda será divulgada.

Serão priorizados os municípios rurais remotos, rurais adjacentes e intermediários remotos, que concentram 3,4 mil cidades, e poderão incluir todas as equipes de Saúde da Família no Programa Médicos pelo Brasil.

Todas as Unidades de Saúde da Família ribeirinhas e fluviais e os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) também serão considerados como prioritários. Segundo o ministério, em comunicado ao CORREIO, “o Governo Federal priorizará a participação de municípios em regiões carentes por meio do programa Médicos pelo Brasil”.

A estimativa é de que sejam disponibilizadas 18 mil vagas em todo o país  7 mil a mais que no Mais Médicos, “principalmente em municípios de difícil provimento, por serem longe dos centros urbanos, e em localidades vulneráveis”.

Para essas cidades de difícil provimento serão 13 mil vagas. No estado, segundo o Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb) há cerca de 35 mil médicos.

Oeste profundo
Construída com R$ 409 mil reais, entre 2014 e o final de 2018, a Unidade Básica de Saúde do povoado de Buritizinho, a 100 km de Mansidão, no extremo oeste da Bahia, ainda está sem médico desde que foi inaugurada em janeiro deste ano e a administração local espera ser contemplada pelo novo programa.

Buritizinho é um desses locais que se houve falar de “Brasil profundo”: não tem sinal de internet e nem telefone, as ruas são sem calçamento, fica praticamente isolada em épocas de chuva por conta do difícil acesso e a diversão maior dos cerca de 1.600 moradores é se banhar no rio Preto, que abastece a comunidade.

No posto de Buritizinho, enquanto não chegam médicos, os atendimentos são feitos de dois em dois meses. “É como se fosse um mutirão, ficamos lá de dois a três dias e atendemos entre 500 a 600 pessoas, muita gente com hanseníase, hipertensão e diabetes”, diz o secretário.

Com 13 mil habitantes e localizada já quase na fronteira com o estado do Tocantins, Mansidão nem hospital municipal possui. No momento, a cidade tem quatro médicos, um contratado pelo município e três do Mais Médicos.

Dos profissionais do Mais Médicos, que serão substituídos à medida que chegarem os profissionais do Médicos pelo Brasil, dois atuam em postos de saúde na sede do município e um na unidade de saúde de Aroeira, zona rural que fica a 10 km da sede.

O secretário de Saúde de Mansidão disse que a cidade já tem dificuldade para conseguir médico na sede, “na zona rural é pior ainda, mas esperamos que esse novo programa possa nos atender nesse sentido”.

Sem médicos
Na Bahia, segundo a Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab), desde o fim do ano passado, quando acabou a parceria entre o governo brasileiro e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) para atuação de médicos cubanos no país, há oito cidades que estão sem profissionais do Mais Médicos.

Os municípios são Camacan, Lagoa Real, Mulungu do Morro, Mutuípe, Novo Horizonte, Pojuca, Salinas de Margarida e Santanópolis. Mas a Sesab não informou quantos médicos de fora do programa atuam nessas cidades.

Localizada no oeste da Bahia, a cidade de Riachão das Neves também espera um médico do Médicos pelo Brasil para que possa realizar atendimentos frequentes na unidade de saúde da comunidade de Gerais, a 90 km da cidade.

No local, moram cerca de 1.500 pessoas. De tecnologia por lá, apenas luz elétrica o posto de saúde atual funciona de forma improvisada num imóvel residencial.

O atendimento ocorre uma vez na semana e para chegar lá em dias de chuva, somente em veículos com tração nas quatro rodas, e tem de sair cedo da cidade, pois a viagem leva de 3 a 4 horas.

Matéria completa no site do Correio da Bahia


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